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25 de fevereiro de 2024

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Pautas no STF e disputa por conselhos tutelares indicam direita organizada a um ano das eleições municipais

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Impulsionada por aliados de Bolsonaro, a falsa associação entre o governo Lula e banheiros unissex gerou mais de 185 mil tuítes; campo somou 69% dos perfis e 66% das interações em postagens sobre o tema, mostra levantamento da Arquimedes

A mobilização da direita em torno de temas que estão sendo julgados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) impulsionou campanhas de oposição à legalização do aborto e disseminação de fake news que relacionam o governo à suposta liberação de banheiros unissex em escolas, mas revelou também a antecipação de estratégias que deverão ser adotadas na eleição municipal que acontecerá daqui a um ano. Uma prévia dessa organização foi vista durante o fim de semana, quando políticos do campo conservador se empenharam na disputa eleitoral de conselhos tutelares, que teve votação recorde no domingo.

O pleito registrou alto comparecimento nas urnas, diante de campanha ostensiva de parlamentares para preencher as 30 mil vagas no país. Em São Gonçalo (RJ), por exemplo, Pamela do Otoni foi eleita para o conselho com apoio do deputado federal Otoni de Paula (MDB-RJ). Maria Carolina Marquez Zamboni, que foi escolhida para uma das vagas em Campo Grande, já posou em foto ao lado do deputado estadual Rafael Tavares e do federal Gustavo Gayer (PL-GO).

A disputa nos conselhos interessa a políticos por permitir que eles elejam aliados que vão ter contato direto com a população e prestar serviços na ponta da sociedade. A vitória de seus indicados lhes ajuda a ganhar capilaridade e a levar suas bandeiras ideológicas a locais como escolas e comunidades. Cabe ao conselheiro tutelar zelar pelo cumprimento dos direitos de crianças e adolescentes. Eles agem em casos de vulnerabilidade de menores de idade, como abandono e maus tratos.

A eleição também reverberou nas igrejas. Um levantamento do GLOBO com base nos dados de 11 capitais identificou ao menos 99 conselheiros eleitos que são declaradamente evangélicos nas redes sociais — o que equivale a cerca de 10% das vagas disponíveis nessas cidades. Esse segmento religioso teve forte vinculação com o bolsonarismo. Entre os nomes, há o caso de Edilene Barros, em Fortaleza, que recebeu pedidos de apoio do marido, pastor Osires Pessoas Jr, da Igreja Assembleia de Deus Montese, além de contar com o apoio da médica Mayra Pinheiro, conhecida como Capitã Cloroquina.

As solicitações de voto dentro dos templos geraram percalços judiciais. No Rio, denúncias foram feitas em relação à Igreja Batista Lagoinha e na Universal Reino de Deus. Por este motivo, o resultado do município foi adiado. O deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) enalteceu o trabalho da igreja na eleição de nomes conservadores: — A Igreja Universal fez um trabalho impecável. Tem vários conselhos que dos cinco eles elegeram três — disse.

Em outra frente, a direita tem se organizado em pautas de costume nas redes sociais. Impulsionada por aliados de Bolsonaro, a falsa associação entre o governo e uma suposta norma para liberar banheiros unissex gerou mais de 185 mil publicações no X (ex-Twitter) entre 18 de setembro e o último domingo, de acordo com levantamento da consultoria Arquimedes a pedido do GLOBO. Os dados mostram que a oposição a Lula somou 69% dos perfis e 66% das interações em postagens sobre o tema. O destaque foi o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que compartilhou a publicação com maior alcance na rede social, mas postagens semelhantes foram compartilhadas por parlamentares como Filipe Barros (PL-PR), Carlos Jordy (PL-RJ), Sergio Moro (União-PR) e Rosangela Moro (União-SP).

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