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25 de fevereiro de 2024

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Dia Mundial Sem Carro, 22 de setembro

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O objetivo principal do Dia Mundial Sem Carro é estimular uma reflexão sobre o uso excessivo do automóvel, além de propor às pessoas que dirigem todos os dias que revejam a dependência que criaram em relação ao carro ou moto. A ideia é que essas pessoas experimentem, pelo menos nesse dia, formas alternativas de mobilidade, descobrindo que é possível se locomover pela cidade sem usar o automóvel e que há vida além do para-brisa.

A data foi criada na França, em 1997, sendo adotada por vários países europeus já no ano 2000. Na cidade de São Paulo são realizadas atividades desde 2003. Com pedalada-manifesto em 2004, no ano de 2005 houve até visita à Câmara de Vereadores. Até 2006, essas atividades eram realizadas principalmente por iniciativa de cicloativistas e participantes da Bicicletada, com apoio da Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente.

As iniciativas dos ciclistas paulistanos continuaram ocorrendo em 2007 e 2008, mas desde 2007 passamos a contar com a Rede Nossa São Paulo para engrossar o coro, realizando novas atividades e eventos e trazendo mais visibilidade para a data.

Várias outras cidades brasileiras passaram a celebrar a data, no mínimo com uma Bicicletada. Em 2010 houve atividades na semana toda, em vários estados, fazendo com que ela começasse a ser chamada de Semana da Mobilidade. De lá para cá, a adesão de cidadãos e do poder público só aumentou, bem como o esclarecimento correto sobre o DMSC.

Ao longo do último século, nossas cidades foram adaptadas para atender prioritariamente ao carro, não as pessoas que nelas vivem. Investiu-se muito mais no uso individual do automóvel do que em soluções de transporte de massa.

À medida em que as cidades e o país cresciam, deu-se ênfase em facilitar a venda massificada de automóveis, com incentivos contínuos às montadoras, e a criação de infraestrutura para que esses carros rodassem com conforto, enriquecendo empreiteiras e concessionárias.

Nessa política, cada cidadão deveria resolver por conta própria o “seu” problema de mobilidade. O carro incorporava cada vez a imagem de liberdade de ir e vir, quando na realidade era a alternativa que restou. Para mover “massas” de pessoas, deveria haver mais opções de transporte “de massa”.

As ferrovias foram desmanteladas ao longo do século e as hidrovias não saíram do papel. Já as rodovias se espalharam por todo o país, até no coração da floresta amazônica, levando o desmatamento e a poluição no porta-malas.

Mesmo os investimentos em transporte coletivo sobre rodas foram sempre muito menores que os investimentos diretos ou indiretos na mobilidade individual motorizada. As ruas, avenidas, pontes e túneis, supostamente criados para atender à demanda, passaram a agir como indutores dessa demanda. Com isso, criou-se um círculo difícil de quebrar: mais carros demandam mais espaço, que depois de criado atrai ainda mais carros.

As cidades deixaram de ter caminhos por onde as pessoas e os rios passavam, para ter caminhos para “chegar rápido de carro”. Atravessar as ruas sem uma armadura de uma tonelada se tornou, cada vez mais, uma aventura perigosa. As cidades deixaram de ser das pessoas e passaram a ser dos carros.

Usar um carro, por si só, não parece um grande problema. Para entender melhor o real cenário, é preciso afastar-se da visão individual e analisar todo o conjunto.

O carro é uma invenção maravilhosa. Com um veículo a motor, você pode carregar centenas ou talvez milhares de vezes o que conseguiria carregar com as mãos. Pode levar pessoas enfermas até um hospital, suprir deficiências de mobilidade e transpor distâncias enormes.

No entanto, o problema começa a se mostrar quando você percebe que a quase totalidade dos motoristas nas cidades são pessoas sem nenhuma restrição de mobilidade. E geralmente carregam apenas uma blusa ou um caderno, não estão sendo levadas a hospital algum e estão fazendo um trajeto que muitas vezes não chega a 10 km.

Todos saindo com seus carros no mesmo horário causam o efeito mais visível da mobilidade centrada no automóvel: o congestionamento. Outros efeitos são mais difíceis de perceber e alguns até impossíveis de mensurar com exatidão.

Mortes e ferimentos de vítimas do trânsito, doenças cardiovasculares e respiratórias resultantes da poluição e as consequências do sedentarismo são os principais efeitos na saúde das pessoas.

A saúde mental também é afetada, em razão de stress, isolamento, frustração, agressividade e menor tempo para convívio com a família. Ter seu prestígio social e autoestima atrelados ao automóvel também tem impacto psicológico negativo.

E não podemos deixar de citar o impacto ambiental e social de tamanho volume de carros e motos circulando nas ruas. Bem mais do que poluir o ar, também há poluição das águas com os resíduos da circulação, consumo exagerado de recursos naturais para a produção massificada dos veículos, impermeabilização do solo, aumento da temperatura das cidades, diminuição do espaço para convívio entre as pessoas, degradação nas relações pessoais e outras consequências mais.

O dia 22 de setembro é uma oportunidade para que as pessoas experimentem vivenciar a cidade de outra forma. Transporte público, bicicleta e mesmo a caminhada são alternativas saudáveis e cidadãs, que contribuem com o meio ambiente e com a sua saúde. Também ajudam na locomoção daqueles que realmente necessitam utilizar o carro, sobretudo em situações especiais de mobilidade (melhor idade, gestantes, transporte de crianças pequenas, pessoas com necessidades especiais, etc). Até a carona solidária, combinada com um colega de escritório que more perto da sua casa, já ajuda bastante.

Se você utiliza o carro no dia a dia, faça um desafio a si mesmo: descubra se você é capaz de passar um único dia útil sem seu carro. Se conseguir, tente fazer isso pelo menos uma vez por semana. A cidade, o planeta e nossas crianças agradecem!

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